Os riscos ocultos do crack

Segue íntegra de artigo publicado na Revista Brasileiros, edição 49, de agosto de 2011 Há um problema no artigo recente em que Dráusio

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Varela propõe internação compulsória dos dependentes. As cracolândias exigem ação — mas também calma… Por Antonio Lancetti* Um dos maiores riscos da incidência do crack no cenário nacional é o da interrupção do processo de construção do sistema público de saúde mental brasileiro, tido como exemplar por representantes da Organização Mundial de Saúde, inclusive para países de grande população, como Índia ou China.A lei argentina de saúde mental, recentemente promulgada, é baseada em nossa lei, a 10.216, com a diferença de que no país vizinho a internação compulsória deve ser decidida pela família e por uma equipe multidisciplinar com, pelo menos, a assinatura de um médico e um psicólogo. Aqui, basta a assinatura do médico. Esse processo de construção de nosso SUS da Saúde Mental chama-se reforma psiquiátrica pelo fato de que, nas últimas décadas, foram fechados vários locais de horror (em torno de 60 mil leitos), onde a simples permanência de alguns dias deixaria qualquer leitor pelo menos mais deprimido do que entrou.O resgate de cada um desses seres humanos exigiu um enorme esforço por parte dos terapeutas. Yeezy 350 Boost A suspensão dos procedimentos iatrogênicos, como sequestro, maus tratos, tempos e espaços fixos e repetitivos e outras formas de desrespeito aos direitos, não foi suficiente. Houve necessidade de criar, utilizando todos os saberes existentes (psiquiatria, psicanálise, psicologia social, socioanálise, esquizoanálise, arte, economia solidária, etc.), instituições velozes, criativas, que operam onde as pessoas habitam. Adrian Peterson – Oklahoma Sooners Os chamados CAPS – Centros de Atenção Psicossocial — vão se constituindo em serviços de 24 horas de funcionamento, com internações, integrados a serviços de emergência e moradias terapêuticas onde vivem oito pessoas que saíram de internações de 10 ou 20 anos, mostrando que o hospital psiquiátrico é cada vez mais prescindível. Boise State Broncos Além desses serviços, hoje se faz saúde mental nos mais recônditos locais, por meio da parceria de equipes especializadas com médicos de família, enfermeiros e agentes comunitários de saúde, atendendo inclusive casos graves, ajudando na diminuição da internação psiquiátrica, da violência e do consumo de drogas legais e ilegais. Mas o chamado Movimento da Luta Antimanicomial (que conta com usuários e familiares de usuários) está em uma encruzilhada. Aprendeu a cuidar de casos graves desconstruindo manicômios e atendendo as crises nos bairros, melhorando a reabilitação das pessoas com grave sofrimento psíquico. nike requin tn pas cher Agora, com o advento dos dependentes de crack, expostos na paisagem urbana e na mídia, devem enfrentar um clamor pelas internações em clínicas fechadas, primas-irmãs dos hospícios. As cracolândias, onde qualquer um é aceito, são ao mesmo tempo manicômios a céu aberto, no dizer de Franco Rotelli, um dos principais líderes da Psiquiatria Democrática Italiana**. Mas transformaremos esses manicômios criando outros manicômios? As cracolândias são os manicômios pós-modernos e os craqueiros, os loucos do século XXI. E estão aí, nas regiões degradadas das cidades para mostrar nosso fracasso, nossa miséria existencial consumista. Canotte Houston Rockets O modo como vamos enfrentar a questão expressará nossa sabedoria e ética. Adidas Nmd Donna Beige

O artigo de Drauzio Varella, da Folha de S.Paulo de 16 de julho, convoca a internação compulsória dos craqueiros e craqueiras e termina perguntando: “Se fosse seu filho, você o deixaria de cobertorzinho nas costas dormindo na sarjeta?”.

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Essa pergunta sugere imediatamente a diferenciação de crianças e adultos. Mesmo com famílias que não se importem com o cobertorzinho nas costas, interná-los à força implica a existência de um vínculo que se aproxime ao de pai e mãe. Cheap Nike Roshe Shoes
Gerará ódio, ressentimento e futuras rebeliões se forem brutalmente recolhidos e amontoados em grande número ou com metodologias negativas e baseadas exclusivamente na abstinência. Em segundo lugar, o que o doutor Drauzio talvez não saiba (e acredito que gostaria de saber) é que muitos desses homens, mulheres e crianças estão com graves problemas de saúde e já estão sendo internados em São Paulo (embora o sistema precise ser aperfeiçoado), em hospitais gerais e atendidos em Unidades Básicas de Saúde por equipes de Saúde da Família. Eles não pedem para ser tratados da dependência, mas demandam atendimentos clínicos e, como consequência do vínculo com

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seus cuidadores, muitos pedem ajuda para abandonar o uso do crack. Internar ou prender todos os craqueiros é tão ideológico como pensar que eles vão sair daí pela própria vontade. ffxiv gil for sale Ou, dito de outra forma, o problema não é internar – que na prática funciona como uma redução de danos -, mas sim como internar e, principalmente, onde e com que perspectivas. Adidas Ultra Boost Donna

South Carolina Gamecocks E o que faremos com instituições fechadas que já estão sendo criadas pelo Brasil afora, especialmente as denominadas comunidades terapêuticas? Como se sabe, as instituições de contenção fundamentadas na abstinência possuem uma tendência à cronificação e algumas usam recursos violentos ou não se adequam às regras sanitárias vigentes. As instituições que cuidam de crianças e adolescentes usuários de drogas não podem ser de contenção, mas de aceleração e criatividade. Cincinnati Bearcats Em São Bernardo, por exemplo, há Centros de Atenção 24 horas para adolescentes dependentes de drogas, moradias fundamentadas em propostas pedagógicas de ação: meninos e meninas têm atividades o dia inteiro e à noite, sessões de cinema. Grey Pink Jordan Shoes Em Vitória, Espírito Santo, o atendimento é feito a partir das equipes de Saúde da Família associadas ao CAPS Álcool e Drogas ou pelo consultório de rua… E há muitos trabalhos interessantes sendo realizados no Brasil. Maglie New York Knicks Air Griffey Max Nessa hora de desespero, devemos tomar cuidado com os fenômenos que costumo chamar contrafissura ou tentação de cair no erro da guerra às drogas, infiltrados na clínica e no alarmismo infundido na população. A intervenção nas cracolândias exige ação e calma. Por enquanto no Brasil, a única pesquisa que demonstrou ter êxito significativo, em torno de 70%, foi a realizada pela Unifesp – “O uso de cannabis por dependentes de crack – um exemplo de redução de danos”, Eliseu Labigaline Jr. Nike Hurley Phantom Free in Consumo de Drogas Desafios de Perspectivas, de Fábio Mesquita e Sergio Seibel, Ed. Hucitec, 2000 -, livro que leva apresentação de Drauzio Varella. A pesquisa constata mudança de comportamento, como parar de roubar a família, voltar a estudar, trabalhar e, inclusive, parar de usar maconha. Femmes Air Jordan 4

Mas nenhuma estratégia parece ser aplicável como receita única. Calma não significa paralisia, mas enfrentar o problema em sua complexidade de modo a não interromper o processo vitorioso e eficaz da reforma psiquiátrica, mas aprofundá-lo. Os riscos são muitos e, por isso, é sempre bom lembrar de que o problema das drogas está longe de depender exclusivamente da saúde. O termômetro que avaliará o valor e a ética do processo será a observância ou não dos diretos das pessoas assistidas e, consequentemente, a sua eficácia. Alabama Crimson Tide


*Psicanalista, autor de Clínica Peripatética, Editora Hucitec. Under Armour Shoes **Acompanhei os doutores Franco Rotelli e Angelo Righetti em uma visita à cracolândia de São Paulo e a expressão me foi transmitida por Roberto Tykanori, coordenador nacional de saúde mental.

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British Car Auctions, CLARY/AFP/Getty Images The Republic of Djibouti said in a statement that it was “extremely disappointed” with the outcome of the case and was “exploring urgently with its lawyers the best course of action to take, Under coach Michael Cheika, it is. A state agency concluded that six staffers at a residence run by the Judge Rotenberg Education Center had ample reason to doubt the orders to administer the shocks.


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3 Comentários

Marcelo26/09/2011 11:26

Enquanto os cães ladram, a caravana passa…
Enquanto devemos ter calma e cuidado em agir objetivamente nas "cracolandias", pessoas desprovidas de volição, (sequestrada pelo voluntário uso de drogas) vão morrendo não tão lentamente.
O certo é que os "saberes até então existentes" só tegiversam. É filigrana prá todos os lados.
A droga age no cérebro humano de forma devastadora. Neurocientistas podem comprovar isso.
Quem está nas ruas, com seu livre arbítrio vilipendiado não pode esperar.
Deve sim ser retirado, desintoxicado, ser acompanhado por equipe multidisciplinar, envolvendo psicologos, médicos, assistentes sociais, em estabelecimento que proporcione uma recuperação digna, com práticas laborais, esportivas, socializantes.
A política de redução de danos, é uma balela. Ofertar cannabis para pacientes de Crack, tentando minimizar danos é inóquo. O pertencente ao lugar de uso de drogas, tem acesso à diversidade de entorpecentes. O Estado não tem como controlar seu acesso, e invariavelmente vai se deparar com alguem lhe oferecendo crack, Ox, ou qualquer lixo desses. Basta apenas uma vez.
Existem aqueles ainda que são contrários à política de demonizaçao das drogas. A esses, sugiro que continuem usando, sem restrições, e, por escolha, não queiram depois assistencia do Estado.

Maria26/09/2011 16:41

"Olhar e Ver a necessidade de cada um cidadão de imensa cidade
"CRACOLÃNDIA!"

Shirley Moreira03/10/2011 8:18

Cada cidadão é livre para escolher o que deseja fazer da sua vida. Suas escolhas o conduzirão para o bem ou para o mal. Por que então não envidar esforços sobrehumanos para orientar, dar condições escolares e familiares a quem ainda não experimentou a droga? Tenho visto sobre ONGS e mesmo do Governo entidades que têm feito sim trabalho digno dos DH, oportunizando condições dignas para orientar crianças a serem verdadeiros cidadãos de bem. Mas ainda é insignificante diante da imensidão da necessidade. Homens e mulheres sem nenhuma condição mental pelos descaminhos das drogas ou outros destruidores do caráter humano, põe filhos ao tormento e desumanidade. Preferencialmente aí devemos aumentar esforços, pois estes ainda não podem se autosustentar ou sequer ter o direito de escolher algo melhor, a não a lama da desgraça.

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